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Astrologia na linha do tempo - 1

Neste, e em artigos subsequentes, estaremos expondo alguns dos principais elementos das origens e bases históricas da Astrologia, a fim de que os amantes dessa prática milenar possam se aproximar um pouco mais profundamente das razões que levaram os homens a escolherem o céu como uma forma de relógio existencial, coordenador de suas atividades mundanas. Vale salientar que, de fato, não se pode entender qualquer criação humana, sem, ao mesmo tempo, entender o contexto histórico, espaço-temporal, em que se deu essa criação; percebemos que o contexto faz a necessidade surgir no universo interno humano, tanto quanto acaba fornecendo os elementos possibilitadores de satisfazer, no todo ou em parte, essas necessidades... Reside aí a beleza da Natureza, afinal ? o diálogo constituído entre tudo o que nela se apresenta, em interações contínuas, ao longo do tempo de existência das coisas...

De modo geral, podemos dividir a história da Astrologia em cinco períodos fundamentais:

•Babilônico
•Grego
•Medieval
•Astrologia Moderna I (Primórdios)
•Astrologia Moderna II

Destes, os dois primeiros, babilônico e grego, podem ser considerados os formadores do conhecimento astrológico que ainda hoje praticamos (com algumas adaptações necessárias, é certo).

Período Babilônico

Pertence aos mesopotâmicos, especialmente os babilônicos, a prerrogativa de terem ‘inventado’ a Astrologia, nos primórdios da civilização humana. Apesar dos registros mais sistemáticos de fenômenos celestes só começar a ser feito por volta de 1600 aC, o interesse e estudo por esses fenômenos começou, entre tais povos, certamente muito antes. MESOPOTÂMIA era a região (hoje Iraque) que ficava entre dois rios, ‘no meio’(=meso) de dois rios (=potamos), o Tigre e o Eufrates. Aí viveram povos como os sumérios, babilônios, assísios, e hititas. Entre 6000 e 5000 aC, esses povos (como também os egípcios, às margens do Nilo), anteriormente nômades exploradores de terras férteis, onde quer que elas existissem, foram se fixando, estabelecendo mais definitivamente suas raízes civilizatórias, em hordas, tribos, e, finalmente, cidades. Assim aparecem a agricultura e técnicas de irrigação, junto com um anseio crescente, por parte dos seres humanos, de tentar controlar a Natureza ? ou, se não tanto, ao menos entender e prever mais produtivamente os seus passos. O homem utilizou o céu como relógio e sistema de referência muito cedo; aí percebeu ciclos e sinais que o tempo ía dando de seu significado intrínseco.

As Constelações do Zodíaco (constelações de estrelas ‘fixas’ que compõem o chamado zodíaco sideral) foram adotadas como referência astronômica pelos babilônios por volta de 2000 aC. Todavia, sua descoberta é bem anterior, em torno de 3000 aC, pelo povo sumério. Não obstantes essas utilizações, os  primeiros registros de fenômenos celestes datam de cerca de 1600 aC; várias cópias desses registros foram encontradas na biblioteca assíria de Assurbanípal (que reinou entre 669-627 aC). São 70 tabuletas, com registros em escrita cuneiforme (=em forma de cunhas). Tomaram conhecimento desses ‘tratados babilônicos’: os judeus, que estiveram cativos na Babilônia de 587-539 aC, e os persas, quando conquistaram a Babilônia, por volta de 539 aC.

Dos persas, a astrologia babilônica chega aos egípcios, no período da dominação persa sobre o Egito, 525-404 aC; daí, alcança o noroeste da Índia (hoje Paquistão), por volta de 509 aC. Parte desse material migrado é então traduzido para o egípcio e grego (no oeste), e para o sânscrito (no leste). Importante frisar que a astrologia babilônica foi uma forma primitiva de astrologia mundial, e não uma astrologia natal, ou individual. Nesse sentido, promoveu as fundações para uma astrologia elecional ? preocupada em encontrar ‘bons’ momentos para o início de atividades, preferencialmente. Os ‘astrólogos’ babilônicos eram escribas, sacerdotes..., os homens ‘letrados’ da Babilônia, considerados homens sábios. Até o século VII aC, nas palavras do historiador da Astrologia, James Holden, “os astrólogos interpretavam os fenômenos celestes depois de terem ocorrido, e muito pouco para adiantá-los”; a típica ocupação desses astrólogos era preparar espécies de ‘relatórios’ explicativos dos  fenômenos acontecidos para os reis que os solicitavam.

Eis que, no séc. IV aC, começam a surgir procedimentos matemáticos para o cálculo das posições do sol, lua e planetas. Cria-se a circunferência, de 360° (=constructo matemático criado pelos babilônios) e, com ela, a roda de signos do zodíaco. Cada signo com 30°, 12 signos, ao todo, com os mesmos das 12 constelações do zodíaco.

Desde o início, na astrologia babilônica, o zodíaco aparece como parte do método criado para achar e referir as posições dos astros, ou seja, como ‘instrumento’ cognitivo de referência, através do qual se poderiam localizar/pontuar as posições dos astros visíveis do sistema solar então utilizados. Mas em que consistiam as teorias matemáticas dos babilônios? ? Bem, eram elas puramente numéricas, sem nenhuma relação com as ‘órbitas’ dos planetas ? conceito que desconheciam. Os babilônios não conheciam a trigonometria (=parte da matemática que estabelece os métodos de resolução dos triângulos e investiga as funções trigonométricas; de modo geral, a trigonometria tem seu interesse focado no trabalho com ângulos, em suma). Seja como for, com essas novas teorias, os babilônios adquiriam a capacidade de calcular previamente a posição dos astros.

Características da astrologia babilônica que, mais tarde, foram adotadas pelos ‘inventores’ alexandrinos da astrologia natal ou horoscópica:
•Os signos como ‘casas’ dos planetas, e, além disto, a existência de ‘casas secretas’ dos planetas ? exaltações, benefícios ? em determinados signos ? p.ex. Sol em Áries, Lua em Touro...

•A subdivisão de cada signo em partes de 12 (1/12), chamados em grego, e depois traduzidos para o latim, de dodecatemoria.
•O agrupamento de signos em triplicidades e quadruplicidades.

•A utilização do zodíaco fixo ou normal (=siederal), que, àquela altura, começava cerca de 5° antes do ponto vernal (=equinócio de primavera).

Por fim, vejamos a seguir uma síntese das principais características da astrologia babilônica, para, posteriormente, podermos compreender suas transformações.

•Por volta de 1600 aC, ela começa a ser registrada em tabuletas, com escrita cuneiforme. Aí se reuniam: augúrios e aforismos para uma astrologia mundial (=para toda uma região e seu grupo humano constituinte); também aí ficava estabelecido o princípio fundamental segundo o qual fenômenos celestes estavam relacionados com fenômenos terrestres.

•A última expressão dessa astrologia passou aos persas, e, daí, aos egípcios e indianos.

•Apesar de não serem astrólogos ‘sistemáticos’ como os babilônios, os egípcios também mapearam o céu, e o fizeram em 36 decanos. Esta viria a ser uma de suas contribuições à astrologia babilônica, chegando a nós como os decanatos que conhecemos. Cada decano tinha suas características individuais, afortunadas ou desafortunadas.

•Por volta do primeiro século da era cristã, viria a ser considerada a idéia de que o decano [=decanato] ascendendo ao tempo do nascimento de alguém dava uma indicação sobre a ‘sorte’ ou ‘infortúnio’ dessa natividade; algum tempo depois, essa idéia levaria ao conceito de ascendente como principal fator astrológico de determinação das casas terrestres.

•Dos antigos hindus, a astrologia babilônica utilizaria também alguma contribuição ? eles (os hindus) possuíam uma astrologia baseada nas posições da Lua em nakshatras (=‘mansões lunares’), usualmente em número de 27, de 13°20’ cada; tal utilização seria incorporada à noção de zodíaco e de seus 12 signos, com cada um deles possuindo cerca de 27 nakshatras.

•Os babilônios não possuíam nenhuma teoria sobre órbitas, e também não conheciam trigonometria. Mas possuíam engenhosos métodos numéricos para calcular a posição dos planetas, o que os habilitou para calcular as primeiras efemérides de que se tem notícia.

•Os babilônios inventaram a circunferência ? contructo matemático de 360°, e o zodíaco matemático, composto de 12 signos de 30°; tratava-se de um ‘zodíaco fixo’ (=com base no zodíaco sideral).

•Os ‘horóscopos’ babilônicos baseavam-se somente no dia, mês e ano de nascimento; nenhuma consideração era dada para a hora.






Texto colaboração de: Vania L M Marinelli - Fundadora do Arion – Estudos do Simbólico - (11) 5572-3657 - JOL Abril 2007


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