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Alta velocidade para todos

Alta velocidade para todos



A implantação do Trem de Alta Velocidade (TAV), prevista para acontecer até 2014 ou 2016, consolidará a maior conurbação da América Latina, ligando através de um expresso ultramoderno os três maiores mercados do país: São Paulo, interior paulista e Rio de Janeiro. Concebido sob os novos ventos desenvolvimentistas que passaram a soprar depois de anos de estagnação, o TAV é uma grande oportunidade para que o Brasil reflita sobre erros do passado para não repeti-los. O TAV surge com todas as condições de ser um empreendimento sustentado, aprofundando na região o desenvolvimento econômico, a integração regional e a inclusão social.  

A ferrovia chegou ao Brasil na segunda metade do século XIX, mas de maneira muito diversa do que aconteceu na Inglaterra, onde teve origem, e nos Estados Unidos, onde moldou o caráter da nação. Nesses dois países, particularmente no último, a implantação dos “caminhos de ferro” ocorreu entre áreas rurais e urbanas nas quais a produção precisava ser levada à população e esta se deslocava de um lado para outro. O resultado foi a interligação de diferentes regiões e a consolidação do território nacional.

Já o Brasil daquela época era dominado pelos barões do café e não tinha um mercado interno amplo. A vocação exportadora do modelo econômico de então foi responsável tanto pelo surgimento e apogeu quanto pela decadência da ferrovia. As linhas foram construídas no sentido Oeste-Leste – das fazendas do café para os portos. Foi por isso que nunca se cogitou construir uma malha ferroviária que integrasse, por exemplo, o Norte ao Sul do País. Excludente como era, o modelo agrário-exportador do Império e da República Velha jamais concebeu o país como nação.

Jacareí nasceu sob o signo desse modelo excludente. É verdade que a cidade cresceu depois que foi integrada pela Estrada de Ferro do Norte, em 1876. Mas essa via férrea, que virava “Ferrovia D. Pedro II” ao entrar no Estado do Rio de Janeiro, também mudava de bitola (distância entre trilhos) – passava de 1m (bitola estreita) para 1,6m (bitola larga) – assim que os trilhos cruzavam a divisa paulista. Só em 1905, com ambas as ferrovias sob o controle da Central do Brasil, a bitola foi unificada (para 1,6m) e São Paulo e Rio puderam ser unidos por ferrovia.

Os horizontes de hoje, felizmente, são muito mais amplos e democráticos. O TAV, produto da agenda da retomada do crescimento econômico com inclusão social, traz à tona a discussão sobre os benefícios ou prejuízos que terão as cidades por onde passará o expresso. Esses debates, bem como as audiências públicas, constituem uma indicação de que, desta vez, estão sendo levados em conta os interesses de toda a comunidade, e não apenas os de uma minoria, por mais poderosa que ela possa ser. Portanto, é natural que, nesse processo, cada município chame a atenção para suas preocupações e necessidades.

Tornou-se lugar comum dizer que, nos países emergentes, as estações, centros operacionais e de manutenção dos trens de alta velocidade tendem a trazer progresso, enquanto que o percurso dos trilhos, pelo isolamento que impõe, perpetua o atraso. Por outro lado, sabemos que é impossível construir estações em todas as cidades existentes no percurso de uma ferrovia para um trem de alta velocidade – no caso, entre Campinas e o Rio de Janeiro –, sob pena de diminuir-lhe a eficácia, inviabilizando-o como meio de transporte rápido.

Sugerimos, então, que os municípios onde não forem instaladas estações sejam beneficiados com a construção de bases operacionais, de manutenção e logística do TAV. Como a probabilidade de instalação de uma estação em São José dos Campos é muito grande, acreditamos que Jacareí reúne todas as condições para receber uma base de manutenção dos trens: nosso município tem áreas disponíveis, um sólido e diversificado parque industrial, qualificação profissional e infraestrutura.

A proposta e a sorte estão lançadas. O TAV está nos seus primórdios e o debate apenas toma corpo. Mas os desafios que o projeto impõe aos brasileiros são ciclópicos: financiamento, viabilidade técnica, dificuldades de engenharia, conciliação entre interesses dos municípios, estados e União, impacto ambiental, prazos etc. Mas, como diria o Barão de Mauá, aquele empresário visionário que estava muito à frente de seu tempo, “as dificuldades foram feitas para serem vencidas”. Saberemos vencê-las.

        
Hamilton Ribeiro Mota - Prefeito de Jacareí (PT- SP)

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Autoria

Fonte: Ana Carolina Esmeraldo - Ex-Libris

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