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H1N1  o medo maior  da doena ou da vacina?

H1N1 o medo maior da doena ou da vacina?

 

O Pediatra Yechiel Moises Chencinski faz uma análise da doença que assustou o mundo.  

Tudo o que é novo e inesperado costuma trazer dúvidas e incertezas. Se estivermos falando sobre doenças então, aí é que a situação se complica.

E se pela maior facilidade e velocidade na obtenção de informações é cada vez mais real que “de médico e de louco todos nós temos um pouco”, muitas vezes as pequenas questões se transformam em enormes mal entendidos.

Dos quadros mais recentes, poderíamos pensar na doença provocada pelo vírus H1N1 (influenza tipo A) como um dos maiores exemplos desse século.

Esse quadro de gripe (que não é resfriado) provocado por um vírus tipo Influenza, modificado por mutações, trouxe o pânico em 2009 a toda população mundial.

A doença, que é muito mais contagiosa do que grave, provocou mudanças de comportamento importantes, como um maior cuidado na higiene (lavagem de mãos), na prevenção de contágio (com procura maior pelos serviços médicos, de forma mais precoce) e até causou a união mundial na busca de uma vacina que protegesse todas as pessoas contra a doença.
Infelizmente, essa conscientização, como costuma acontecer, funciona enquanto estamos em crise e diminui sensivelmente assim que o período agudo se vai, retornando, muitas vezes de forma tardia e ineficaz, quando a situação volta a se complicar.

O período crítico da gripe A acabou em 2009, após algumas medidas determinadas pelo Ministério da Saúde (suspensão prolongada das aulas, distribuição e prescrição de medicamentos antivirais entre outras).

O passo seguinte foi a compra de mais de 100 milhões de doses de vacinas contra o H1N1 para aplicação nos grupos de risco, que foram determinados pela observação dos quadros de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e de morte relacionadas à doença.

Estão recebendo a vacina gratuita contra o H1N1 os profissionais da saúde (que estão na linha de frente do combate à gripe A), crianças de 6 meses a 2 anos de idade, gestantes, população indígena que mora em aldeias, doentes crônicos e adultos jovens de 20 a 39 anos.

Apesar de todo o pânico criado em 2009, apesar de haver a definição dos grupos de risco para a doença e para a vacinação que é gratuita e de toda divulgação a respeito da situação, a adesão ainda não foi a esperada, fazendo com que o cronograma sofresse alterações para atingir a cobertura vacinal esperada.

O que justificaria esse resultado abaixo do esperado em relação à vacinação?
Apesar de trabalhar apenas em consultório, sem contato direto com serviços públicos de saúde, acredito que os anseios de meus pacientes (pediatria e adultos, esses só na área de homeopatia) possam ser expandidos e tomados como base para compreender melhor a situação.

A seguir, tentarei esclarecer as dúvidas mais comuns em relação à vacinação, tanto do H1N1 monovalente (vacina aplicada no serviço público de saúde) quanto em relação à trivalente (que já chegou ao Brasil e está sendo aplicada em clínicas particulares) contra o H1N1, um vírus de gripe Influenza tipo A e um do tipo B.

Quantas vacinas contra gripe nós teremos esse ano?
Atualmente são 3:
- Monovalente – só contra H1N1, dada nos serviços públicos de saúde;
- Sazonal – apenas para 3ª idade (acima de 60 anos), sem o H1N1, aplicada nos serviços públicos gratuitamente;
- Trivalente – Influenza A - Califórnia (H1N1) / Influenza A - Perth (H3N2) e Influenza B - Brisbane, aplicada em clínicas particulares desde abril, já em falta pela busca excessiva e com previsão de chegada novamente no mês de maio.

Devemos nos vacinar para H1N1 e para gripe sazonal também?
Todo ano é indicada no Brasil a vacinação contra a gripe sazonal. Ela é sempre trivalente, contra os 3 vírus mais freqüentes do 2º semestre do ano anterior. Em 2009, o H1N1 apareceu com grande intensidade nessa época e, pelas suas características, criou-se a necessidade de uma vacinação específica contra ele. Assim, nesse ano, a proteção contra o H1N1 poderá ser feita através de duas vacinações: a monovalente, específica contra H1N1, gratuita, nos postos de saúde e a trivalente, que também conta com a H1N1, associada com outros dois tipos de vacina anti-Influenza tipos A e B.

Essas vacinas são seguras? Elas já foram testadas antes?
A vacinação contra o H1N1 já foi feita na Europa e nos Estados Unidos (mais de cem milhões de doses) e não foram relatados efeitos adversos graves relacionados à sua aplicação.
Desde que tenham sido obedecidas, como devem ser em qualquer tipo de vacina, as normas de segurança (seringas e agulhas adequadas, procedimento de estocagem, conservação, manuseio e capacitação de pessoal envolvido), a incidência de efeitos colaterais importantes segue a mesma linha de qualquer vacina de gripe já aplicada no Brasil.
Mesmo assim, qualquer evento adverso que possa ocorrer próximo à administração da vacina deve ser comunicado e notificado aos serviços de saúde para que se analise e se conclua se houve ou não relação com a vacinação.

Quais os efeitos colaterais da vacina?
Os efeitos colaterais relatados, leves e de curta duração, foram locais (dor, inchaço e vermelhidão) e gerais (febre, dor de cabeça, cansaço, dores musculares). Após as vacinas já aplicadas (Estados Unidos e Europa), não houve relato comprovado de associação com um tipo de paralisia conhecida como síndrome de Guillain-Barré. 

Existe risco para grávidas? E para os fetos?
Para surpresa de todos, as grávidas apareceram como grupo de risco importante na epidemia de 2009. Entre as mulheres em idade fértil que tiveram SRAG pelo H1N1,22% eram gestantes. Em Nova York, o risco de hospitalização de gestantes que tiveram H1N1 foi 7 vezes maior entre as grávidas em comparação com as não grávidas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), independente da fase de gestação, a vacina não traz riscos nem para a grávida, nem para o feto e não há evidências que aumente o risco de abortamento ou afete a capacidade de reprodução.

Uma só dose (H1N1 monovalente ou a trivalente) é suficiente para imunizar a gestante.

Quais são as contra-indicações para a vacina?
Há três situações que indicam a não-vacinação:
- Doenças febris agudas.
- Alergia grave, comprovada, a ovo (dificuldade respiratória, queda de pressão sanguínea, urticária generalizada).
- Alergia grave, comprovada, a vacina anterior contra gripe.
Além disso, crianças abaixo de 6 meses de idade não devem tomar a vacina por não haver comprovação de eficácia até essa idade. Mesmo assim, mães amamentando crianças até essa idade podem ser vacinadas. Dessa forma, além de se protegerem contra a doença, indiretamente protegem seus filhos, que não podem ser vacinados.

Quem já teve gripe precisa ser vacinado?
Se houver comprovação laboratorial da doença H1N1, não há necessidade de se vacinar especificamente contra essa doença (vacina monovalente). A doença confere imunidade permanente,  mas apenas contra esse vírus. Assim, quem já teve suspeita de gripe, mas não sabe que tipo foi, deve tomar a vacina trivalente, especialmente pela proteção conferida, também, contra o H1N1.

Quanto tempo depois de tomar a vacina existe a proteção?
Segundo testes realizados, a vacina demora de 10 a 15 dias para agir, com proteção ideal dentro do intervalo de 14 a 21 dias.

Quantas doses são necessárias para a proteção contra o H1N1?
Se for aplicada a vacina monovalente nos postos, crianças entre seis meses e nove anos devem receber duas doses da vacina, com intervalo de quatro semanas. Os adultos devem receber apenas uma dose da vacina.

Meu filho tomou a vacina pública contra o H1N1. Ele precisa tomar a vacina contra gripe sazonal?
Sempre é importante lembrar que a vacina não confere proteção cruzada, ou seja, quem tomar a vacina contra H1N1 (ou tiver a doença) não está protegido contra nenhum outro tipo de vírus da gripe. A vacina trivalente, além de proteger contra a H1N1, confere imunidade a dois outros tipos de vírus: Influenza A - Perth (H3N2) e Influenza B - Brisbane.

Vale a pena citar algumas situações especiais:
- A criança (de 6 meses a 9 anos) tomou a 1ª dose de H1N1 da campanha: a segunda dose pode ser a trivalente (intervalo mínimo de 3 semanas).
- A criança (de 6 meses a 9 anos) tomou as 2 doses de H1N1 na campanha: pode tomar 1 dose da vacina sazonal (trivalente).
- A criança (de 6 meses a 9 anos) não tomou nenhuma dose de H1N1 na campanha, pode tomar as duas doses da vacina sazonal (trivalente).

Por que há tantas informações contraditórias em relação aos riscos da vacina?
Esse não é um fato novo. No Rio de Janeiro, em 1904, houve grande revolta quando Oswaldo Cruz (médico sanitarista) tentou fazer valer lei federal que obrigavam todos a se vacinarem contra a varíola. As reações foram violentas e, entre 10 e 16 de novembro, a capital do país naquela época - Rio de Janeiro - sofreu depredações no episódio que ficou conhecido como “Revolta da Vacina”.

Mesmo assim, a varíola foi erradicada do Brasil em 1973 e considerada a primeira doença extinta do mundo em 1980.
Esse não foi um fato isolado. Situação semelhante ocorreu quando em 2008 foi iniciada a campanha de vacinação contra a rubéola e boatos circularam através da internet denunciando uma manobra governamental para esterilizar as pessoas através dessa vacinação em massa.
Graças ao sucesso dessa campanha de vacinação, hoje o Brasil está praticamente livre da Rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita (malformações cardíacas, catarata, glaucoma, deficiência auditiva, entre outros sintomas mais tardios, podendo levar a abortamento - morte fetal).

O quadro de pânico atual foi provocado por vários e–mails e informações inverídicas que circularam relacionando a vacina e seus componentes a quadros de complicações graves.
Entre esses boatos, citava-se, por exemplo que o tamiflu seria o nome da vacina “assassina” (ele é apenas um medicamento utilizado nos quadros da doença), que a vacina já havia sido adquirida no Rio de Janeiro pelo Instituto Butantã (que na verdade fica em São Paulo), que teria mercúrio e esqualeno em grande quantidade, altamente tóxicos e letais (a quantidade de mercúrio que existe na vacina, é muito pequena e não prejudica a saúde de ninguém e o esqualeno não faz mal à saúde).O tempo e a experiência comprovaram o que já se sabia; que essas informações não passavam mesmo de boatos.


Dr Yechiel Moises Chencinski  - é médico Pediatra pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.  Formado pelo CEPAH – Centro de Pesquisa e Aperfeiçoamento em Homeopatia e autor dos livros HOMEOPATIA mais simples que parece (2007) e GERAR E NASCER um canto de amor e aconchego (2008). O especialista é Professor do Curso de Especialização em Homeopatia com ênfase em Saúde Pública e Estratégias de Saúde da Família da Prefeitura de São Paulo em convênio com o Ministério da Saúde (Programa Nacional de Práticas Integrativas e Complementares – PNPIC). Além de colunistas em sites e revistas especializadas.
www.doutormoises.com.br

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Texto de: Dr Yechiel Moises Chencinski

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