O beijo mortal


Relutei muito em colocar esta entrevista, mas a razão venceu e aqui relato mais um caso de amor.


Dia desses fui chamado por uma conhecida que há muitos anos não a via, nem me lembrava dela e ela só me achou por causa do Jornal O Legado.

Ela me contou sua vida pós-casamento e me pediu para conversar com sua filha Madalena de 30 anos.

Entrei no quarto de Madalena e o quadro que vi chocou e comoveu-me muito.

Fiquei por horas ouvindo Madalena, com sua voz muito baixa, me contar sua curta vida.

Madalena com 15 anos resolveu “curtir” a vida e ser uma mulher diferente, nunca planejou ter uma família, mas gostava dos rapazes, de todos, raros, segundo ela, os que ela não gostava.

Foi me contando detalhes e detalhes, um atrás do outro, que daria para escrever um livro.

Madalena por um período estudou e fez faculdade, sempre namorando alguém e beijando "todos".

- Madalena você me intrigou com alguns fatos e gostaria de te entender. Explique-me melhor o "beijando todos".

- Eu sempre apreciei o beijo na boca e os selinhos, olhava um garoto e já me vinha a pergunta “que gosto será que ele tem?” e outro fator, eu não admitia ter um amigo e não sapecar um selinho nele. Era gostoso, eu vivia para namorar e muitas vezes deixava um namorado porque o gosto do beijo do outro era melhor. Na faculdade as coisas pioraram, comecei a beber e com o álcool eu me excitava, com isso logo saía à cata de um homem para beijar, o tesão vinha e pronto lá estava eu no colo daquele cara que eu nem sabia o nome. Passei a experimentar todos dessa forma e para mim isso era vida!

- Mas Madalena, e o Amor onde fica nessa história?

- Eu nunca quis amar alguém, me chamavam de fria, mas eu tinha era loucura por homens, gostava de todos e a maioria eu não queria nem saber seu nome.

Cheguei a deixar vários deles em restaurantes, cinemas, motéis, só porque haviam me dito seu nome. Mas como eu poderia amar alguém se teria que ser fiel? Eu nunca aceitei ser de um, sempre quis vários. Apaixonava-me de manhã, de tarde e de noite. Por puro desafio cheguei a ir para a cama com 3 homens no mesmo dia, exatamente um de manhã, outro de tarde e o melhor à noite. Jurei amor a muitos, às vezes levava até dois anos pro coitado perceber que eu não ia casar com ele. Hoje me arrependo disso tudo.

- E hoje como você vê o amor a dois?

- Hoje eu faria tudo diferente.  Em vez de trocar de homens e beijar qualquer um, eu beijaria o meu homem em todos os lugares onde quer que a gente fosse passear e trocaria os lugares a toda hora, mas não de homem.

- Então você se fidelizaria a um homem?

- Sim. Com certeza. Seria mais honesto para mim mesma. Não é justo brincar com os sentimentos dos homens. Eles são gostosos, mas são fraquinhos de coração, se seduzem muito fácil. Hoje eu vejo que saberia prender comigo qualquer homem. Basta deixá-los sentirem-se os donos da situação mas na hora H eles fazem o que a gente pede. E também não vale pedir para eles comprarem o que não podem pagar, isso destruiria o relacionamento, porque eles ficam alucinados quando precisam pagar e não tem dinheiro.

- No seu íntimo você amou alguém?

- Hoje sinto falta de um cara sim, acho que ele eu amei sim; gostaria que estivesse aqui comigo agora. Mas nem lembro do seu nome para procurá-lo.

- Você se arrepende de ter feito o que fez durante seus 30 anos?

- Dos meus 15 aos 23 anos não me arrependo não, o pior foi até os meus 28 anos. Esse período eu me desvalorizei, não gostava de ninguém e acho que nem de mim mesma.
 Você tem idéia de como pegou a doença?

- Tenho certeza. Foi de um cara que eu sentei no colo dele em um barzinho e lhe dei um selinho. Saí dele e voltei para minha mesa. Seu olhar era de tanta ternura que voltei lá e fiz novamente só que dei-lhe um beijo de língua daqueles de perder o fôlego. Foi um beijo de uma eternidade. Fiz amizade com ele e trocamos alguns telefonemas. Até que um dia me informaram que ele havia morrido. Para os curiosos, os meus dentes não estavam tão bons.

- Hoje é comum nas baladas a garotada dar selinhos em todos. O que você acha disso?

- É gostoso, muito gostoso. Mas é pervertido e impuro. É errado sim.  A gente se suja por dentro. É uma contaminação desnecessária. Veja minha mãe, outro dia ela me falou de um homem que não a beijou quando ela pediu. Na hora não entendi isso, mas fiquei pensando, ele foi digno porque ele sabia que não ia manter um relacionamento com ela. Não há homens assim. Todos beijam. Sabe porque todos beijam? Porque acham que vão transar e tirar o “pinto” da miséria.

- Com sua experiência o que você falaria para as meninas e para as mulheres?

- Se valorizem. Não caiam na vulgaridade, se caíram saiam enquanto podem. Amar um homem apenas! Lutar por ele e nas horas difíceis dele, não o abandonem.

Madalena portadora de AIDS, faleceu algumas semanas após esta entrevista.

Que a história dela nos sirva de exemplo de vida. Ela não lutou pelo seu verdadeiro amor, preferiu doar-se de um jeito vulgar, diferente, por puro prazer da vida, porque era alegre e solitária ao mesmo tempo e por não aceitar um amante exclusivo ao seu lado.

Obs.: Os nomes das personagens não são seus verdadeiros nomes. Qualquer semelhança é mera coincidência.



Texto / entrevista de Alberto Sugamele


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Texto publicado no site Momentos de Amor
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